sábado, 5 de novembro de 2011

Homens Valorosos


Atualmente estamos experimentando uma necessidade muito grande de materialização da fé no meio cristão. Precisamos de mega apresentações, de pastores multimídia, de shows pirotécnicos, de grandes testemunhos calcados “no quanto fui pior e hoje como estou melhor”, na contabilização dos diversos prêmios que se ganha ao se converter.  Afinal, quem de nós ainda não viu o circular do “foi Deus quem meu deu”? As pessoas carecem de gigantescos milagres, uma aquisição de bens, sem fim.

Historicamente falando, homens como Jerônimo Savonarola, Martinho Lutero, João Bunyan, Jônatas Edwards, João Wesley e tantos outros não tiveram outros instrumentos a não ser a Bíblia e uma fé inabalável. A Reforma Protestante ocorrida em 1517 foi um movimento caracterizado pela volta às Escrituras. O próprio Deus acendeu nos corações dos pré-reformadores e reformadores a necessidade de reavivar a Igreja Primitiva, relegada a segundo plano por interesses escusos do Clero.

Tempos difíceis foram aqueles. Perseguições, provações e mortes rondavam esses grandes homens. Viver sob o medo era uma constante e superá-lo não era nada humano, era uma questão divina.

Jerônimo Savonarola seguiu a Deus até o seu fim, nunca desistiu, sendo queimado em praça pública por sua eloquência e fé, citando as seguintes palavras enquanto ardia: “O Senhor sofreu tanto por mim!”

João Huss acreditou que a sua morte não seria em vão, pois tinha a certeza de que, como bem profetizou, “podem matar o ganso (huss significa ganso em alemão), mas daqui a 100 anos Deus suscitará um cisne que não poderão queimar”.  Ele profetizava acerca de Martinho Lutero.

João Bunyan passou por extremos obstáculos, sofreu calúnias, foi chamado de feiticeiro, teve sua vida devastada para que desistisse do seu ministério. Porém, sentenciado a prisão perpétua, disse: “nunca tinha sentido a presença de Deus ao meu lado em todas as ocasiões como depois de ser encerrado... fortalecendo-me tão ternamente com esta ou aquela Escritura até fazer desejar, se fosse lícito, maiores provações para receber maiores consolações”.

Jorge Whitefield vivenciou no corpo e em sua alma as marcas de Cristo, pois para sustentar sua fé pregou nos campos, porque as igrejas fecharam-lhe as portas. Foi agredido a pauladas e “em Exeter, enquanto pregava para dez mil pessoas, foi apedrejado de tal forma que pensou haver chegado para ele a hora de sua morte”.

Hoje, muitos homens vão a público relatar que sofrem intermináveis perseguições, são acusados de se aproveitar da fé de suas ovelhas, de acumularem fortunas, de terem seus templos fechados, de seus programas de TV serem tirados do ar,  de calúnias, usando a maior parte do seu tempo para murmurar. Mas, os homens valorosos acima não tiveram tempo para reclamações, para lamentações, tinham muito a fazer, tinham muito a orar, pois o importante era “tomar a sua cruz e seguir a Jesus”. Assim, perto desses heróis da fé, quem somos nós?

Alguns afirmam a necessidade de uma nova Reforma. Todavia necessitamos mesmo é da coragem, da ousadia de uma fé abnegada expressa por aqueles homens e, principalmente, de uma profunda comunhão com Deus para voltarmos às Escrituras, ao Evangelho da Cruz.

Carla Souza de Almeida dos Anjos. Fonte: Heróis da Fé – Orlando Boyer.

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