Saudade é uma palavra que não tem tradução em muitos idiomas, mas, aqui no Brasil, a gente bem sabe o que significa, ou melhor, sente o que significa.
Algumas horas à toa — raridade nos dias atuais — me reportam há alguns anos, quando nossa linda juventude compunha a página de um livro bom (parafraseando o 14 Bis). A viagem foi para vários lugares em que nossos jovens conviveram e foram felizes.
Como não lembrar mesmo dos retiros que fazíamos, quer chovesse, quer fizesse um sol escaldante? Nada que uma bela cachoeira não pudesse resolver com sua beleza e água gelada. Parecia lavar a alma...
As noites eram embaladas pelas tão esperadas serenatas. E como os rapazes caprichavam! “... desperta, vem ouvir essa canção, que a serenata é pra você, pra você, só pra você...” E a gente dormia de cansado, de tanto resistir ao sono, de tanto ter a alma alegre.
Dá saudade de um tempo precioso, das aventuras no mato, do leite fresquinho de manhã e até dos cochilos durante os estudos bíblicos à noite. Afinal, nenhum de nós era de ferro! E o pastor João percebia, e nos colocava em círculos, para ninguém dormir – rsrsrs.
É, isso tudo não pode ser expresso em palavras, nem em texto, porque é sentimento. E sentimento a gente vive, a gente transcende, a gente guarda pra sempre. Lembranças como essas são relíquias, valem muito.
Hoje é bom também, mas nós que vivemos o início de tudo, creio, somos privilegiados, porque sentimos os dois lados, vivemos meio que atemporais.
Ah, como sinto saudade dos nossos dias. E como sou agradecida a Deus por ter me permitido vivê-los tão intensamente!
Ele já preparava o nosso coração para essa tão normal nostalgia. Boa nostalgia.
Vania Vianna

Nenhum comentário:
Postar um comentário